Por meio dessa iniciativa, a Novartis reafirma o seu compromisso com a eliminação da hanseníase em todo o mundo. Desde 2000, a empresa fornece os medicamentos para tratamento da doença em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Até hoje, foram doados 40 milhões de unidades do medicamento, curando mais de 4,5 milhões de pacientes no mundo todo, o que representou um investimento de US$ 60 milhões. Em 2008, 3,8 milhões de unidades foram distribuídas aos países endêmicos, entre eles o Brasil.
“O acesso a tratamentos de doenças negligenciadas faz parte do compromisso da Novartis com as comunidades nas quais a empresa atua. Com a Carreta da Saúde, esperamos contribuir com a saúde pública brasileira ”, diz Alexander Triebnigg, presidente da Novartis Brasil.
Este é o segundo ano de atuação da Carreta que, com o apoio de diversas prefeituras e secretarias municipais de saúde, percorrerá as regiões mais endêmicas do país. Em 2008, o caminhão visitou 32 cidades e detectou mais 1,3 mil doentes, mais de 3% do total de casos no Brasil.
“A proposta é, em parceria com a Novartis e prefeituras, fazer uma caravana de mobilização e divulgação em torno da hanseníase, ajudando no treinamento de profissionais e na detecção de novos casos. A partir de janeiro de 2010, queremos fazer campanhas no Maranhão e Piauí, áreas de maior foco da doença”, afirma Arthur Custódio, coordenador do Morhan, entidade que trabalha desde 1981 pela eliminação da hanseníase no Brasil e que conta com voluntários em todo o país, além de parceiros, como a Novartis.
No Brasil, em 2008, cerca de 40 mil novos casos de hanseníase foram diagnosticados, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O que é a Carreta da Saúde?
A Carreta da Saúde é um projeto de cidadania corporativa que tem como objetivo colaborar para a eliminação da hanseníase no Brasil, por meio da educação, diagnóstico e tratamento da doença. A ação teve início com a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) e agora será conduzida pela Novartis e pelo Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), com apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Como funciona o projeto?

Como funciona a participação da Novartis?
A Novartis passa a ser a responsável pela Carreta da Saúde, desde o investimento necessário até a coordenação das ações junto ao Morhan.

Por que a Novartis está investindo nessa causa?
A Novartis está comprometida com a eliminação da hanseníase em todo o mundo. A Empresa fornece, desde 2000, a poliquimioterapia (PQT) para o tratamento da doença em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A PQT, que está disponível gratuitamente em toda a rede pública do Brasil, cura a hanseníase, interrompe sua transmissão e previne as deformidades. Ao todo foram doadas 40 milhões de unidades mundialmente, curando mais de 4,5 milhões de pacientes e representando investimento de US$ 60 milhões. A Carreta da Saúde fortalece o esforço da Novartis, auxiliando as autoridades de saúde na eliminação da doença.

Por que o projeto é importante?
A hanseníase, que atinge principalmente as populações menos favorecidas, geralmente de escassos recursos e acesso restrito a tratamentos e informação, ainda é endêmica no Brasil. O país registra 40 mil novos casos todos os anos, colocando o país em 2º lugar no restrito mapa global da doença – a Índia é a 1ª com quase 200 mil casos/ ano. Conhecida por muito tempo, erroneamente, como lepra, os portadores de hanseníase têm como principal desafio vencer o preconceito e obter acesso à informação e à terapia gratuita. A Carreta da Saúde atua exatamente nessas frentes.

Trata-se de uma doença infectocontagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae e transmitida pelo ar, por meio de espirro, tosse ou fala de uma pessoa já contaminada. Entre os seus principais sintomas está a presença de manchas dormentes esbranquiçadas ou avermelhadas, insensíveis ao tato, à dor e ao calor. A doença tem cura e a principal recomendação é que, em caso de dúvida, o paciente procure um médico para receber o tratamento adequado.
Para saber mais sobre a doença, veja as perguntas e respostas abaixo.

O que é hanseníase?
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, com alto poder debilitante, causada por uma bactéria que compromete principalmente a pele e os nervos deixando sequelas e deformidades quando não tratada precocemente. Ao ser tratada há a interrupção da transmissão e prevenção das deformidades. A doença já foi conhecida de forma errada e com trágicas consequências pelo nome lepra.

Por que o nome hanseníase e não lepra?
A hanseníase tem este nome em homenagem a Gerhard Armauer Hansen (1841-1912), médico norueguês que descobriu, em 1873, o micróbio causador da infecção. O termo hanseníase está oficialmente adotado no Brasil desde 1976. A palavra lepra significa escamoso em grego e designava, na antiguidade, doenças que hoje conhecemos por psoríase, eczema e outras dermatoses. À medida em que suas causas foram descobertas, essas doenças passaram a ter uma denominação apropriada. Por essas razões, e também porque as palavras lepra e leproso estão associadas a ideias de impureza, podridão, nojeira e repugnância, é anticientífico e desumano considerá-las como sinônimos de hanseníase e de portador de hanseníase.

Qual a causa da hanseníase?
A hanseníase é causada pelo micróbio mycobacterium leprae (o bacilo de Hansen) que, além de atacar os nervos periféricos, a pele e a mucosa nasal, pode afetar outros órgãos, como o fígado, os testículos e os olhos. O bacilo de Hansen não atinge a medula espinhal e o cérebro.
A hanseníase, para fins de tratamento, pode ser classificada em:
- Paucibacilar: de 1 a 5 lesões de pele (baixa carga de bacilos)
- Multibacilar: mais de 5 lesões de pele (alta carga de bacilos)

A hanseníase tem cura?
Sim. Qualquer que seja a forma de hanseníase, a cura acontece utilizando-se medicamentos que provocam a morte dos bacilos. Porém, se o tratamento for tardio ou inadequado, a pessoa pode apresentar sequelas (deformidades), mesmo já estando curada da infecção. Neste caso, as deformidades não transmitem a infecção. As pessoas curadas, mas com alguma deformidade, por menor que seja, precisam apenas aprender a se cuidar para evitar traumatismos e ferimentos que podem originar outros problemas.

Quais os sinais e sintomas da hanseníase?
- Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade (dormentes). Os locais com maior predisposição para o surgimento das manchas: mãos, pés, face, costas, nádegas e pernas. Em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas;
- Área de pele seca e com falta de suor no local afetado;
- Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;
- Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade;
- Sensação de formigamento ou diminuição da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. A pessoa pode se queimar ou machucar sem perceber;
- Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés;
- Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
- Úlceras de pernas e pés;
- Nódulos (caroços) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;
- Febre, edemas e dor nas juntas;
- Entupimento, sangramento, ferimento e ressecamento do nariz;
- Ressecamento dos olhos;
- Mal estar geral, emagrecimento.

Quais os danos físicos que a doença pode causar?
Se a doença não for tratada no início, podem aparecer mais manchas ou se tornarem maiores e ficarem mais dormentes. O nariz entope, surgem formigamentos nas mãos e pés, ou inchaços nas mãos, pés, rosto e orelhas. Em alguns casos, os homens podem ficar estéreis. Devido à dormência, a pessoa pode se ferir nas mãos e nos pés e não sentir, ocasionando lesões nas áreas dormentes. Pode ser necessária atenção especial para os problemas nos olhos.

Os agravos físicos podem ser evitados?
Sim. Com o tratamento precoce e adequado, com orientação ao portador de hanseníase e por meio de técnicas simples de prevenção de incapacidade, os agravos físicos podem ser evitados e até curados. Em todo o tratamento, é necessária a orientação de profissionais competentes.

Como se pega hanseníase?
A hanseníase se pega somente de uma pessoa infectada apresentando forma contagiante da doença (multibacilar – MB), isto é, que esteja eliminando os bacilos de Hansen pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros) e que não esteja fazendo tratamento - uma vez iniciado, a doença deixa de ser transmitida imediatamente, mesmo antes da cura.
A hanseníase não é transmitida por:
- Meio de copos, pratos e talheres, portanto não há necessidade de separar utensílios domésticos do paciente;
- Assentos, como cadeiras e bancos;
- Apertos de mão, abraço, beijo e contatos rápidos em transportes coletivos ou serviços de saúde;
- Picada de inseto;
- Relação sexual;
- Aleitamento materno;
- Doação de sangue;
- Herança genética ou congênita (gravidez).
Importante: assim que a pessoa começa o tratamento, deixa de transmitir a doença.

Quem pega hanseníase?
O bacilo de Hansen só ataca seres humanos e tem capacidade de infectar um grande número de pessoas, mas poucos adoecem quando entram em contato com o bacilo, pois a maioria apresenta capacidade de defesa do organismo contra ele.

Qual o período de incubação?
Em média, de dois a cinco anos.

Qual o período de transmissibilidade?
Enquanto a pessoa não for tratada.

Alguém nasce com hanseníase?
Não. Nenhuma pessoa nasce com hanseníase. Mas, se os pais forem portadores da doença e não fizerem um tratamento adequado, é possível que a criança apresente hanseníase alguns anos mais tarde.

Como confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico da hanseníase é basicamente clínico, baseado nos sinais e sintomas detectados no exame de toda a pele, olhos, palpação dos nervos, avaliação da sensibilidade superficial e da força muscular dos membros superiores e inferiores. Em raros casos será necessário solicitar exames complementares para confirmação diagnóstica.

Como tratar?
O tratamento é ambulatorial, com doses mensais supervisionadas administradas na unidade de saúde e doses auto-administradas em domicílio. Os medicamentos utilizados consistem na associação de antibióticos, denominados poliquimioterapia (PQT), que são adotados conforme a classificação operacional, sendo:
- Paucibacilares: rifampicina, dapsona – 6 doses em até 9 meses
- Multibacilares: rifampicina, dapsona e clofazimina – 12 doses em até 18 meses
A PQT é doada para o Brasil pela Organização Mundial de Saúde, que recebe o medicamento da Novartis, e todos os municípios devem distribuir o tratamento gratuitamente.

Onde é feito o tratamento?
Nos postos, centros de saúde, Programa de Saúde da Família (PSF) e outras estratégias da atenção básica de saúde da população, que devem estar preparados para atender às pessoas que contraírem hanseníase. A consulta e todo o tratamento, até os medicamentos, são gratuitos. É dever do governo atender a todas as necessidades do tratamento, incluindo a prevenção de incapacidades e a reabilitação. O portador de hanseníase, seus familiares e a comunidade devem exigir esse direito.

Há necessidade de se isolar o paciente?
Não. A pessoa que está fazendo tratamento de hanseníase pode e deve ficar junto de sua família, no trabalho, na escola, sem sofrer separação ou rejeição. Todo portador de hanseníase, mesmo em suas formas contagiantes, deixa de transmitir a doença às pessoas assim que inicia o tratamento. Por isso, o portador de hanseníase deve continuar a realizar suas atividades normalmente.

Como prevenir a hanseníase?
É uma doença incapacitante e, apesar de não haver uma forma de prevenção específica, existem medidas que podem evitar as incapacidades e as formas multibacilares da doença (que transmitem-na a outras pessoas), tais como:
- diagnóstico precoce
- exame dos contatos intradomiciliares (pessoas que residem ou residiram nos últimos cinco anos com o paciente);
- aplicação da BCG (vacina contra tuberculose).

O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) é uma organização não governamental de apoio aos portadores de hanseníase, que luta pela eliminação da doença no Brasil. Fundado em 1981 e contando com suporte de voluntários, o Morhan tem núcleos distribuídos em mais de 100 comunidades pelo Brasil, atuando contra o preconceito e pelos direitos desses pacientes. Para o esclarecimento de dúvidas sobre a hanseníase, o Movimento mantém disponível o Telehansen 0800 26 2001.

Segundo a OMS, as doenças tropicais, que acometem principalmente os países em desenvolvimento, representam 10% de todas as doenças. O investimento da Novartis nessa área é exceção em uma indústria que tradicionalmente a negligenciou. Soma-se ao programa para eliminação da hanseníase, a iniciativa para tratamento da malária, por meio da qual a Novartis fornece o medicamento a preço de custo aos governos de países endêmicos; a doação de medicamentos para o tratamento da tuberculose; o instituto Novartis de Pesquisa em Doenças Tropicais (NITD), em Cingapura, focado na pesquisa e no desenvolvimento de tratamentos para a malária, dengue e tuberculose; e o Instituto Novartis de Vacinas para Saúde Global, na Itália, o primeiro sem fins lucrativos e com foco no desenvolvimento de vacinas acessíveis para a prevenção de doenças infecciosas.